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Micreiros, aliados do design?

By 13 de maio de 2011 2 Comments


Este personagem foi criado pelo próprio mercado de design. Calma, antes de jogarem pedras explicarei a colocação. Apesar de ainda não estar no Wikipedia, vamos a uma breve definição do termo “micreiro”. Presume-se que a palavra venha de micro-computador, pois a atividade é relacionada à informática. No processo de design a informática, com seus hardwares e softwares, é uma das ferramentas de trabalho e não a única no caso de um micreiro. Pesquisa, brainstoming, semiótica, gestalt, metodologia, entre outros termos do design, não fazem parte da rotina deste profissional que utiliza o título de designer no mercado.

Preços baixos, inexistência de metodologia de design, fazer o que os clientes querem e não o que precisam, são características dos micreiros. Há tempos os designers reclamam desta situação. Mas por que isso acontece? Porque o próprio mercado de design deixa margem quando não atende adequadamente as necessidades dos clientes. Cliente satisfeito com os resultados de um designer jamais confiará à um profissional amador a estratégia de seu negócio por causa de preço baixo. Como diz o ditado popular, “em time que está ganhando não se mexe”. Quando o designer pára de fornecer resultados ele se aproxima do perfil do micreiro na perspectiva do cliente. Se a percepção do trabalho realizado por um designer fica semelhante à de um micreiro, a escolha do cliente terá como maior influência por preço e não pela qualidade e resultados.

Podemos comparar esta situação com a concorrência asiática que o Brasil sofre. As empresas brasileiras não conseguem praticar os preços de produtos e serviços commodities destes concorrentes. Tanto o governo quanto as empresas brasileiras estão preocupados com a situação, pois estão perdendo mercado, postos de trabalho e até mesmo fechando empreendimentos. A mobilização geral para sair desta situação se resume a uma só palavra, inovação. Com inovações consegue se diferenciar na qualidade e no preço, em conseqüência o ganho de mercado, vendas e lucros são maiores.

O próprio processo de design deve inovar para expandir a sua participação na economia. Ficar parado é sinônimo de redução de mercado para os micreiros. Temos que transformar esta ameaça em oportunidade usando a presença dos micreiros como um indicador de qualidade do mercado de design. Quando constantemente perdem-se projetos para eles é porque as necessidades essenciais dos clientes não estão sendo atendidas, isto é, baixa qualidade. Reclamar e lamentar pela redução de preços e percepção de valor do design é outro indicador importante, que afirma a necessidade de mudanças. É preciso melhorar e inovar o processo de design para aumentar a competitividade frente à profissionais amadores. Uma sugestão é investigar o que atraem e influenciam as empresas a desenvolverem “projetos de design” com estes profissionais, melhorar estes pontos e incorporar no processo do cotidiano do designer. Saindo da ótica negativa para a positiva, podemos aprender algumas coisas com estes profissionais. Design é um negócio como qualquer outro e a sua gestão deve ser encarada como fator de sobrevivência e expansão no mercado, pois a falta de empreendedorismo no design resulta no fortalecimento não seu, mas de outros personagens como os micreiros.  

Abraços,

Eduardo M. Borba

2 Comments

  • Felipe Lobo disse:

    Olá! Estava procurando pelos termos “odeio micreiros” no site, pois ouvi uma colega falando isso e tal expressão ficou latejando pela minha cabeça por duas longas noites. Porquê? Porque sou graduando em Administração de Marketing, e há dois anos venho criando projetos de design para alguns clientes bem interessantes, quando disse algo sobre meu último serviço, essa minha colega, formada, soltou essas duas pérolas e se foi.
    Confesso que fiquei chateado, mas compreendi, ela é formada, eu não, provavelmente ela sentiu sua vaga no mercado roubada por alguém “menos qualificado”. Preocupo-me sim com o problema de meus clientes e tenho uma visão absurdamente crítica quanto ao design e seu verdadeiro significado no mercado, leio regularmente livros e periódicos da área, associando-a sempre à minha área de formação.
    Infelizmente, me parece que, realmente, os designers “formados” estão mesmo perdendo espaço para nós “micreiros”, e concordo plenamente quando o autor falou a respeito da FALTA DE EMPREENDEDORISMO na área.
    Recomendo primeiramente a qualquer um que inicie em design, micreiro ou não, que leia O VALOR DO DESIGN, há um trecho em que um dos autores fala: “Não há glamour algum em dizer sou designer” Terminando minha atual graduação, darei início à meu curso de Design, farei especialização em Design Gráfico. Sem culpa, nem arrependimentos de ter iniciado na profissão como um “micreiro” que possuiu visão crítica da área, e empreendeu destemidamente no que mais amava fazer.

    Recomendo aos colegas formados, se é que me permitem chamá-los assim, que usem e abusem dessas duas características:

    CRÍTICA & AUTOCRÍTICA + EMPREENDEDORISMO

    • Borba disse:

      Felipe, parabéns pela colocação e desde já agradecemos a participação em nosso blog. Não sei como é seu portfólio, mas considero o seu raciocínio o “pensar” do Designer do século XXI, que equilibra os dois lados do cérebro, equilibra o lógico(Administração) com o intuitivo(Design), é ousado com os pés no chão. Mas o que importa é fazer o que gosta e se dedicar para gerar resultados surpreendentes para os clientes, independente de ter ou não diploma.

      Abraços