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Insustentável Leveza

By 10 de agosto de 2012 janeiro 14th, 2019 No Comments

Fazia alguns dias que eu tinha lido uma resenha do livro “A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera, quando me deparei com a obra do designer e artista holandês Tomáš Gabzdil Libertiny,  intitulada “Unbearable Lightness” ou “Insustentável Leveza” em português.

Coincidência ou não, um dos protagonistas do romance filosófico de Kundera, se chama Tomas, assim como o designer responsável pela obra. O que indica uma possível identificação do designer com o personagem do livro e com obra.

Naquele momento, percebi que precisava ler  A Insustentável Leveza do Ser, comprei-o e estou lendo. Recomendo a todos!

Mas voltando a obra, suspensa por quatro correntes e um gancho, a cabine  foi construída com perfis de alumínio, folhas de vidro e pastilhas de plástico. 40 000 abelhas foram responsáveis pela cobertura da imagem com os favos de mel e cera. Essa estrutura em forma de corpo humano, é feita com um material transparente, sinterizado a laser e representa a figura do Cristo martirizado saído do caos.

O seu peso é aparentemente sustentado pela força do enxame de abelhas

O projeto foi apresentado durante o Design Miami 2010.

De acordo com a leitura da obra, descrita no site Designboom, o projeto cativa pela manipulação e controle da vida selvagem, representada pelas abelhas, em um processo de construção do ícone religioso mais influente na cultura Ocidental, o Cristo.  O gabinete suspenso e fechado faz referência a limitação da sociedade, onde a vida cotidiana de trabalho árduo é mascarada pela esperança em um descanso eterno, no paraíso prometido aos que  creem nos ensinamentos do Cristo.

As abelhas, são programadas pela natureza, para agir conforme o comando de sua rainha, como verdadeiras marionetes. O objetivo de Tomas Libertiny é relacionar a condição das abelhas a nossa própria condição existencial, onde agimos muitas vezes, conforme os instintos de nossa natureza e ao mesmo tempo de acordo com as regras impostas pelas convenções sociais.

O designer inseriu uma pigmentação vermelha no molde onde as abelhas trabalharam, a cor representa a carne e o sangue, e também é a única cor que as abelhas não podem ver.

Para quem se interessou pelo trabalho de Tomas Libertiny, segue um vídeo com outro trabalho dele utilizando a mão-de-obra das abelhas.

 

FONTE: http://www.designboom.com/weblog/cat/10/view/10622/tomas-gabzdil-libertiny-unbearable-lightness.html