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As Origens dos eletrodomésticos

By 6 de agosto de 2012 janeiro 14th, 2019 No Comments

A eletricidade é considerada um dos primeiros símbolos da modernidade. Em 1881 Paris sediou a Primeira Feira Internacional de Eletricidade, exibindo surpresas como o telefone e o automóvel elétrico. A partir daí abriu-se o caminho para essa nova tecnologia fazer parte do cotidiano das pessoas, porém, não existiam equipamentos suficientemente aptos para carregar essa nova tecnologia. Pensando nisso, as empresas que forneciam energia elétrica pensaram em criar um novo segmento de produtos, com o objetivo de difundir a nova tecnologia e aumentar o seu consumo.  Assim a necessidade de vender a nova tecnologia criada deu origem aos primeiros eletrodomésticos (ABRAMOVITZ, 2006).

Apesar dos eletrodomésticos terem sido criados como suporte para difundir a energia elétrica, o objetivo dos fabricantes era fazer com que esses novos produtos facilitassem a vida doméstica, auxiliando as pessoas, no caso da época, mulheres donas de casa nos trabalhos domésticos.  Este pensamento estava associado ao pensamento modernista de progresso, onde o desenvolvimento e consumo de novos produtos seria positivo tanto para o fabricante quanto para as pessoas que utilizassem os produtos produzidos.

A produção e comercialização dos eletrodomésticos na Europa teve início em 1881, em paralelo a eletricidade, porém, no Brasil, a produção e a utilização dos aparelhos eletrodomésticos só se consolidou depois da Segunda Guerra Mundial (Cunha, 2003, web).

Para incentivar a utilização desses novos produtos, o investimento em publicidade foi fundamental. Os anúncios, cartazes e panfletos, chegaram ao Brasil antes dos próprios eletrodomésticos. Esses anúncios não só mostravam os novos produtos, como também referenciavam um cenário cotidiano futuro, facilitado pelos novos produtos. Ideia que deu origem ao “mito do lar moderno” (SANTOS, 2009, web), onde o ideal do progresso social por meio das novas tecnologias era fortalecido.

Cartazes dos eletrodomésticos dos anos 1940 e 1950. Fonte: Santos (2009, web).

Os eletrodomésticos passaram a ser utilizados pelos brasileiros em 1929, quando a Companhia Brasileira de Eletricidade (CBE) anunciava aparelhos elétricos para uso doméstico da marca Protos. E depois disso outros eletrodomésticos estrangeiros eram importados e comercializados pelos brasileiros, inicialmente restritos às classes de maior poder aquisitivo, mas mesmo assim já começaram a mudar os hábitos domésticos das pessoas.  Foi depois da Segunda Guerra Mundial que a produção dos eletrodomésticos no Brasil se consolidou, pois países como os EUA que exportavam os eletrodomésticos para o Brasil, diminuíram sua produção para produzir armas para a guerra. Fator que abriu caminho para a abertura de empresas nacionais, pois o consumo de energia elétrica também se expandia no país. Outro fator que teve grande importância para o mercado de eletrodomésticos no Brasil foi a expansão do crédito. As reformas financeiras que aconteceram nos anos 1960, implementadas pelo governo militar, determinaram que as ações de investimento em financiamentos, concentrassem suas atividades diretamente no consumidor. (ABRAMOVITZ, 2006).

A partir de então os eletrodomésticos se difundiram e passaram a fazer parte da vida cotidiana das pessoas, como profetizavam os cartazes publicitários dos anos 1960.

 

Referências:

ABRAMOVITZ, José et al. Eletrodomésticos: origens, história e design no Brasil. Fraiha. Rio de Janeiro, 2006.

CUNHA, Adriana Marques. As novas cores da linha branca: os efeitos da desnacionalização da indústria brasileira de eletrodomésticos nos anos 1990, 2003. Disponível em: <http://www.academicoo.com/tese-dissertacao/as-novas-cores da-linha-branca-os-efeitos-da-desnacionalizacao-da-industria-brasileira-de eletrodomesticos-nos-anos-1990>.

SANTOS, Edgar Souza. A caminho do lar: a narrativa dos anúncios de eletrodomésticos, 2009. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=158388 >.